SPTrans testa ônibus sem cobrador – e sem recebimento físico de passagem

Quem só tem dinheiro, neste período de testes, tem de esperar o próximo coletivo

Neste final de semana, a SPTrans começou a testar o ônibus sem cobrador. O que diferencia este serviço em teste do que ocorre em linhas do sistema local é que nestes veículos não existe recebimento físico de tarifa pelo motorista. O usuário deve ter o Bilhete Único para embarcar no veículo. Sem o bilhete, não há embarque pois não há quem receba a tarifa.

Neste domingo fizemos uma viagem em um dos veículos adaptados. Pegamos a linha no Terminal Santo Amaro. Logo na entrada dos passageiros, já houve um problema. A usuária iria pagar em dinheiro mas não sabia do teste. Ela acabou não embarcando. Aliás, em termos de comunicação, uma falha: colocaram o adesivo de identificação do sistema sem cobrador no para-brisa em frente ao motorista, do lado esquerdo do coletivo, onde não chama a atenção do usuário. O adesivo deveria ficar do lado direito, que fica próximo à porta e mais visível ao usuário.

Ao lado do motorista, sobre o capu do motor, havia um trocador instalado. Questionei o motorista e ele disse que não cobra a passagem. Durante a viagem não houve grandes problemas. Vimos somente um caso, onde a passageira acabou descendo pela frente pois não sabia da novidade e iria pagar em dinheiro.

Os testes estão ocorrendo na linha 576C/10 Metrô Jabaquara – Terminal Santo Amaro, operada pela Mobibrasil. A SPTrans comunicou que haveria ônibus em teste intercalados com veículos com cobrador. Ou seja, quem for pagar em dinheiro, teria de esperar pelo próximo veículo. No entanto, não foi o que ocorreu neste domingo, quando três dos serviço em teste estavam operando em sequência. Dentro do coletivo, o posto do cobrador foi retirado. Só há a catraca e os validadores – de pagamento de passagem e o de recarga.

A ideia, de fato, é uma tendência. Segundo a SPTrans, apenas 6% dos usuários pagam a passagem em dinheiro. Na 576C/10 são apenas 2% que pagam em dinheiro. Mas, como fará o turista eventual ou alguém que não disponha do Bilhete Único no momento para pagar a passagem? Em entrevista à Rádio CBN, o secretário de Municipal de Mobilidade e Transportes Sérgio Avelleda disse que, neste momento de testes, o usuário deverá esperar o próximo ônibus (que terá cobrador)  caso vá pegar a linha no trajeto e que, com as novas tecnologias, novas formas de pagamento serão agregadas no futuro, solucionando este problema.

No Metrô há a opção da compra do bilhete avulso. Mas, e nos ônibus? Para que o sistema seja, de fato, eficiente, deve abranger todas as possibilidades. O usuário da linha que está sendo testada e que paga em dinheiro não está sendo atendido. Se é de fato um teste, e já se sabia de antemão que o grande impasse para a retirada dos cobradores é justamente o usuário eventual e o pagante em dinheiro, o teste já deveria vir com uma solução para este problema.

José E. Sales

Estudante de jornalismo e um apaixonado por mobilidade urbana, especialmente por ônibus. Fale conosco: contato@circularavenidas.com.br

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