Um PAESE de fato

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Fila de usuários da CPTM a espera do PAESE, na estação Barueri

Sábado, por volta das 23h00. Um guindaste, usado nas obras de modernização da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), tomba e derruba a rede aérea de energia que alimenta os trens, na estação Jardim Silveira, em Barueri, na Grande São Paulo. Sem a rede e com a via interditada, os trens não poderiam passar pela estação, paralisando a linha no trecho. A CPTM comunica que acionou o sistema PAESE, que disponibilizaria ônibus para fazer o trajeto do trecho paralisado da linha. Mas, cadê os ônibus?

Segundo seguidores do perfil colaborativo “Diário da CPTM”, os ônibus que a CPTM acionou não apareceram. Muitos usuários esperaram muito até que aparecessem ônibus de linhas regulares mais vazios. Esse é só mais um exemplo de nosso despreparo para atuar em paralisações emergenciais dos sistemas de transporte.

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Fila de usuários em um dos poucos ônibus articulados do PAESE do dia 09/06/2017, aberto para cobrir do trajeto entre as estações Saúde e Jabaquara do Metrô.

PAESE – “PAESE” significa “Plano de Ajuda a Empresas em Situação de Emergência”. No entanto, ouvimos esse termo na maioria das vezes em situações programadas: a “emergência” com hora marcada, como nos PAESEs para as obras de linhas de Metrô ou de alguma eventual obra de modernização da CPTM. Esses PAESEs são até que bem organizados, de maneira geral. Agora, quando chega a hora de uma “emergência” de fato…

No dia 9 de junho, houve um descarrilhamento de uma composição do Metrô entre as estações Conceição e Jabaquara da Linha 1-Azul. Isso fez com que três estações ficassem fechadas por quase nove horas. Com isso, as linhas de ônibus da região foram muito procuradas. E, para auxiliá-las, foi acionado o sistema PAESE, feito com mais õnibus.

O problema desse PAESE foi que o pequeno trecho entre as estações Saúde e Jabaquara foram cobertos por cerca de vinte veículos, dos quais apenas um quarto era de articulados. A frota oferecida era o que estava mais a mão das empresas que operam na região, que possuem poucos ônibus articulados. Mas, por ser um meio de transporte de grande capacidade e que corta várias áreas, não haveria como solicitar ônibus articulados das empresas de áreas vizinhas que operam de passagem pela região para auxiliar na operação? Ou será que até as emergências tem seus operadores fixos? Os ônibus articulados não resolveriam o problema, mas aumentaria a oferta de lugares e ajudaria mais pessoas do que um ônibus padron – sem falar que, para compensar a demanda de Metrô, seriam veículos mais adequados.

O poder público precisa pensar em “emergência” dentro do sistema de transporte da mesma maneira que se pensa em grandes ocorrências. Bombeiros, policiais, agentes de engenharia de tráfego, médicos muitas vezes são convocados em suas folgas ou tem jornadas prorrogadas para atender ocorrências emergenciais de grande impacto. Por que não pensar em algo semelhante nos meios de transporte?

Os vários órgãos de gestão do transporte deveriam se unir para planejar esquemas de emergência mais eficientes e que possam ser ativados com maior agilidade e de maneira mais organizada. Emergência com hora marcada é fácil. Dificil é atender o usuário a contento quando ele mais precisa.

José E. Sales

É blogueiro desde 2009, primeiramente no extinto "Linha Circular" e, agora, no "Circular Avenidas". Foi colunista da "Revista Interbuss" entre 2010 e 2015. É um apaixonado por mobilidade urbana, especialmente por ônibus. Também é estudante de jornalismo e quer se especializar na área de mobilidade urbana. Fale conosco: contato@circularavenidas.com.br .

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