Carreata de Natal: falta de foco

No último sábado, 16 de dezembro, ocorreu a segunda carreata de ônibus natalinos. Embora tenha melhorado em alguns pontos, se comparada à semana anterior, ainda falta muito para que o evento seja considerado “organizado”.

Chegamos por volta das 19h à Praça Charles Miller, no Pacaembu. Ao contrário da primeira carreata, todos os ônibus estavam estacionados na Praça. No primeiro final de semana, por conta de um evento esportivo, boa parte dos coletivos ficaram enfileirados na Rua Paulo Passalácqua.

Os veículos começaram a sair às 19h30. Eles saiam em comboios a intervalos variados. Quase todos bem cheios – no mínimo tinham lotação de banco. Após tirarmos fotos dos veículos, entramos em um ônibus superarticulado da Vip Transportes para seguir no passeio. Era por volta das 20h00 mas o mesmo só saiu em carreata às 20h45. Nesse meio tempo o motorista ouviu reclamações por conta do ar condicionado (que já vem regulado da garagem) e, principalmente, pela demora na partida (que era autorizada por fiscais da SPTrans). No coletivo onde eu estava haviam muitas crianças. E, cansadas de esperar, ficavam inquietas, para desespero dos pais. Por conta disso, muitos se queixavam da falta de informação sobre quando o ônibus iria sair para o passeio. A informação só veio quando uma mãe questionou um fiscal da SPTrans.

Durante o trajeto, alguns batedores seguiam na frete do comboio “limpando” o trajeto dos ônibus natalinos e orientando os motoristas. Aliás, o trajeto foi diferente daquele divulgado pela SPTrans. Os ônibus acessaram a Dr. Arnaldo pela Av. Sumaré e chegaram ao Ibirapuera via Av. 23 de Maio.

Aliás, na 23, como na semana passada, já havia uma lentidão no trânsito. O lado positivo é que a CET cercou os canteiros, evitando que os flanelinhas os oferecessem como estacionamento, como ocorreu no dia 9 de dezembro. Já no Ibirapuera, o problema foi a falta de informação sobre onde ficariam os ônibus. Havia ônibus estacionados tanto na Praça Eisenhower/Rua Marechal Maurício Cardoso quanto ao longo da Av. Pedro Álvares Cabral. E lá ninguém sabia quem era o quê: quem tinha chegado e quem estava partindo… Aquele onde eu estava, estacionou na Praça Eisenhower. Segundo um fiscal da SPTrans, a previsão era de partida em 20min. Eu preferi seguir em frente e pegar um ônibus que partisse mais rápido. Mas, onde?

Na Av. Pedro Álvares Cabral era uma confusão: tinha ônibus voltando para o Pacaembu; e tinha ônibus chegando do Pacaembu. Fui até um ônibus da Mobibrasil que estava chegando. A motorista fez sinal de que estava chegando e iria estacionar (só aparentava não saber onde). Mas o trânsito era tanto que ela ficou um bom tempo parada e alguém a informou de que iria voltar direto. Minutos depois, eu e várias pessoas entramos no coletivo. A partir daí, foram mais de 30min até o ônibus conseguir sair da Av. Pedro Álvares Cabral e acessar a Rua Nábia Abdalla Chohfi (onde, aparentemente, havia outro bolsão de ônibus parados).

Vencido esse trecho, o ônibus fez algumas conversões e seguiu até o Paraíso via Rua Abílio Soares. Na Av. Paulista, desceram a maioria dos passageiros e o coletivo seguiu até o Pacaembu. Houve motoristas que seguiram via Av. Brigadeiro Luís Antônio – um trajeto até mais fácil.

*

A falta de planejamento acaba gerando falta de informação. A SPTrans deveria, em primeiro lugar, pensar quais as informações são importantes para quem vai ao evento. Informações tipo:

– Como serão as partidas?
– A que horas elas ocorrerão?
– Como eu faço para voltar?
– No Ibirapuera, onde os ônibus ficarão estacionados?
– Até que horas irá o evento?
– Qual o caminho de ida e de volta?
– Onde posso embarcar/desembarcar dos coletivos?

A partir desse questionário (que poderia ter bem mais pergundas), seria mais fácil pensar em um esquema para que as pessoas pudessem se locomover com agilidade e segurança. Se o foco é quem vai utilizar o serviço, fica mais fácil resolver os problemas.

Além disso, o próprio evento poderia ser utilizado para levar pessoas ao Parque do Ibirapuera, evitando assim o grande fluxo de carros de passeio nos arredores da Árvore de Natal. Acho dificil que tanta coisa seja corrigida em uma semana. Mas fica aqui o relato e a torcida para que tudo melhore nos próximos anos…

José E. Sales

É blogueiro desde 2009, primeiramente no extinto "Linha Circular" e, agora, no "Circular Avenidas". Foi colunista da "Revista Interbuss" entre 2010 e 2015. É um apaixonado por mobilidade urbana, especialmente por ônibus. Também é estudante de jornalismo e quer se especializar na área de mobilidade urbana. Fale conosco: contato@circularavenidas.com.br .

2 comentários em “Carreata de Natal: falta de foco

  • 18 de dezembro de 2017 em 19:33
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    Esse serviço de ônibus, feito de forma eficiente é essencial pra que nao tenha tanto trânsito nos arredores do ibirapuera nesse fim de ano ja que muita gente insiste em ir de carro pra ver a árvore do ibirapuera e tanto a 23 de maio quanto outras avenidas próximas ficam caóticas por cobta disso

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  • 18 de dezembro de 2017 em 19:34
    Permalink

    Esse serviço de ônibus, feito de forma eficiente é essencial pra que nao tenha tanto trânsito nos arredores do ibirapuera nesse fim de ano ja que muita gente insiste em ir de carro pra ver a árvore do ibirapuera e tanto a 23 de maio quanto outras avenidas próximas ficam caóticas por conta disso

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