Greve Geral: linhas do Metrô param e cidade se vira sem elas

A manhã deste sábado amanheceu tranquila, com Metrô, CPTM e ônibus da SPTrans e EMTU operando normalmente. Bem diferente do sufoco de ontem quando, conforme decidido na assembleia da categoria na noite de quinta, os metroviários de São Paulo fizeram uma paralisação de 24h em apoio à Greve Geral decretada por vários sindicatos e centrais sindicais contra a reforma da Previdência.

Situação permaneceu assim até o final da operação comercial

Para tentar atenuar os efeitos da greve, o Metrô acionou uma operação de contingência: pessoas, que hoje trabalham em outras áreas da empresa mas que já passaram pela operação, foram distribuídas colocadas para operar as estações e os trens, ao lado de operadores que não quiseram participar do movimento. Com isso, logo no início da manhã, trechos curtos das Linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha estavam em operação. Mas, devido à falta de pessoas necessárias, as linhas ficaram limitadas aos trechos Saúde-Luz, na Linha 1, Alto do Ipiranga-Vila Madalena, na Linha 2, e Penha-Marechal Deodoro, na Linha 3. Somente esses trechos permaneceram ativos até o final da operação.

5702/10 Refugio Santa Terezinha – Metrô Jabaquara, com itinerário prolongado até o Metrô Saúde

Enquanto isso, do lado de fora, os motoristas e cobradores das linhas de ônibus gerenciadas pela SPTrans decidiram fazer apenas três horas de paralisação, entre as 3h e as 6h. Depois das 6h, os ônibus voltaram às ruas e ajudaram a diminuir o sufoco de quem ficou sem metrô. Algumas linhas que paravam em estações de Metrô, ao menos de manhã, foram prolongadas para estações mais adiante. Na região do Jabaquara, diversas linhas da A2 Transportes, que fazem ponto final nas estações Jabaquara e Conceição, seguiram até a região das estações Saúde, Praça da Árvore e até Santa Cruz. Nas estações muita gente tentando conhecer as alternativas pois raramente usavam ônibus no trecho. Além disso, como a maioria das linhas da A2 no trecho era de micros, o prolongamento delas acabou aumentando o número de veículos no trecho, o que gerou alguns congestionamentos entre os ônibus dessas linhas e as linhas regulares do trecho.

Já a CPTM, para auxiliar o Metrô, prolongou a Linha 7-Rubi até a estação Brás, proporcionando mais uma alternativa para quem seguia até lá.

Ainda de manhã, para quem preferiu ir de carro, o sufoco foi grande na região. Na região do Jabaquara, Av. Eng. Armando de Arruda Pereira ficou congestionada. Quem percorreu a avenida, passando pelo Viaduto Hugo Beolchi, até São Judas poderia ter levado até 1h de viagem em um trecho em que se faz em 15min.

Paese – Por volta das 10h, começou a funcionar um Paese mais organizado da SPTrans: uma linha de ônibus específica para o trajeto entre Jabaquara e Paraíso. Houve ações em outros pontos da cidade como: reforço de frota das linhas 4310/10 E. T. Itaquera-Term. Pq. D. Pedro II, que faz todo o trajeto paralelo à Linha 3-Vermelha, 407P/10 Term. Cidade Tiradentes/Metrô Tatuapé e 3539/10 Cidade Tiradentes – Metrô Bresser; ativação do Paese com criação de linhas especiais, que operavam com cobrança de tarifa, na zona norte da cidade, além prolongamento de outras até estações mais centrais.

Entrada controlada na estação São Bento: quatro catracas para dezenas de pessoas.

Controle de fluxo – Embora trechos das linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha estivessem em operação, a situação era precária. Os intervalos eram altos e, para evitar uma eventual superlotação nas plataformas, foram realizados controle de fluxo em algumas estações. Na São Bento, por exemplo, quatro bloqueios (catracas) foram liberados, o que gerou uma “fila” enorme para a passagem. O intervalo dos trens na Linha 1 variava entre 3min e 7min. Na Luz a situação era mais tranquila.

Metrô Sé, Linha 1-Azul às 18h: sossego.

No mais, a situação foi tranquila durante o dia todo. Movimento maior apenas nas linhas 4-Amarela e 5-Lilás, concedidas à iniciativa privada, que, junto com a CPTM, operaram normalmente durante todo o dia. Registramos até uma rara cena da estação Sé vazia no pico da tarde de um dia útil.

EMTU – Nas linhas metropolitanas, a operação foi normal na maior parte das regiões. As situações mais críticas foram em Guarulhos, Sorocaba e Vale do Paraíba, locais em que a maioria das linhas permaneceram paralisadas por todo o dia.

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Colaboração: Saldety Uechi

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José E. Sales

Estudante de jornalismo e um apaixonado por mobilidade urbana, especialmente por ônibus. Fale conosco: esales@circularavenidas.com.br

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