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Artigo: Uma em três

SÃO PAULO/SP – O Prefeito de São Paulo Ricardo Nunes disse que não vai aumentar a tarifa dos ônibus da cidade até fevereiro. Segundo disse, só a aumentará “se estiver numa situação que vai colapsar o sistema de transporte”.

O aumento da passagem é para cobrir o custo do transporte, cujos subsídios para mantê-lo são muito altos e o caixa da Prefeitura, sozinho, não está dando conta.

No entanto, a Prefeitura também não está fazendo a sua parte, que é reduzir os custos do sistema. Muito desse subsídio existe por conta de seccionamentos de linhas: ou seja, uma linha acabou sendo cortada em duas ou até três pedaços. O passageiro dessas linhas, para chegar ao seu destino, conta com o Bilhete Único (BU) com o qual, em três horas, ele pode usar até quatro ônibus pagando uma passagem. E o “x” da questão está nessas integrações: cada integração que o passageiro não paga, a Prefeitura paga às empresas na forma de subsídio.

Sob a justificativa de otimizar custos e aumentar a eficiência, a Prefeitura foi cortando linhas em dois ou até três pedaços valendo-se da integração do BU. No entanto, muitos seccionamentos foram feitos sem a contrapartida em infraestrutura. Com isso, conseguiram piorar o que já era ruim.

Um exemplo está na linha 677A/10. Até 2007, ela era Vila Gilda – Metrô Ana Rosa. Naquele ano foi feita uma reorganização nas linhas da região e ela foi dividida em duas: 7001/10 Vila Gilda – Terminal Jardim Ângela e 677A/10 Term. Jardim Ângela – Metrô Ana Rosa. Mais recentemente, a 677A foi dividida de novo: agora, em Term. Jd. Ângela – Itaim Bibi e 709A/10 Estação de Transferência Água Espraiada – Metrô Ana Rosa (as denominações mencionadas são da época dos cortes das linhas).

Ou seja, hoje o passageiro que sair da Vila Gilda tem de passar seu BU por três catracas para chegar até o Metrô Ana Rosa. Se conseguir passar dentro do limite de três horas, a Prefeitura banca duas. Como as três linhas são da mesma empresa, o empresário ganha três vezes. Já o cidadão perde seu tempo, já que raramente há sincronia entre as linhas…

Não seria o caso da Prefeitura rever alguns desses seccionamentos?



Os amigos do Plamurb fizeram um texto interessante sobre o que poderia ser feito para diminuir o custo do sistema de transporte da capital. Confiram:

Alternativas que poderiam ajudar a não aumentar o valor da tarifa de ônibus em São Paulo



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